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Breve História

A história de Macieira de Cambra

Seg, 1 Ago, 2011

Pelourinho-2
Pelourinho de Macieira de Cambra

A vila de Macieira de Cambra é, sem dúvida, de origem muito antiga, perdendo-se essas suas origens em tempos imemoriais.

Recuar a fundação da freguesia até à pré-história é possível, muito embora não se possa datar com segurança os vestígios de ocupação humana, desses tempos tão remotos.

Referências a achados ou monumentos pré-históricos atestam o povoamento destas terras. Sendo, do ponto de vista administrativo, a freguesia mais antiga, aparece mencionada em vários documentos medievais, tendo dado origem ao topónimo do concelho.

A primeira referência escrita acerca da freguesia encontra-se num documento de doação anterior à fundação da nacionalidade no qual, no ano de 992, Ordonho II de Leão e Castela dá estas terras ao Bispo D. Gomado do Mosteiro de Crestuma.

Talvez lhe tenha sido concedido foral nos inícios da nacionalidade, no tempo de D. Sancho I, já que no foral de D. Manuel I, concedido séculos mais tarde se fazem referências ao maço 5 dos forais antigos.

A Macieira está também ligada, ainda nos tempos medievais, uma história de amor pois era desta freguesia D. Constança Afonso, irmã de D. Gomes Gil de Severosa, que se enamorou do filho bastardo de D. Sancho I e de D. Maria Paes Ribeiro, D. Rodrigo Sanches. Esses amores conduziram a um duelo entre o amante e D. Martinho Gil de Severosa, cujo desfecho foi a morte do primeiro. Trágico amor vivido em Macieira, do qual ficou um filho, D. Afonso Rodrigues, criado e educado no convento de Grijó, onde se tornou franciscano.

Pertencendo ao Julgado Medieval de Cambra, é mencionada nas Inquirições de D. Dinis onde se refere que na paróquia de Santa Maria de Macieira havia, no lugar deste nome, a "quintã" e paço de Afonso Pais, estendendo-se a honra a cinco casais; no lugar de Tagim, havia a "quintã" de Gonçalo Dias; no de Mulhudos, havia outra "quintã" que honrava toda a aldeia, compreendendo sete casais do mosteiro de Pedroso e no de Padastros existiam cinco casais de mosteiros, sendo estes com toda a aldeia uma honra.

Também no lugar do Paço, havia a chamada "quinta velha" (honra antiga) que fora de Henrique Magro. Acerca deste fidalgo o nobiliário medieval chamado do conde D. Pedro diz o seguinte: "Em tempo de el-rei D. Afonso, o que filhou Toledo - D. Afonso VI de Leão - havia um mouro em Córdova que era rico-homem e mui fidalgo e de grande campanha e era mui bom cavaleiro de armas, e veio-se para el-rei D. Afonso, e el-rei D. Afonso o rogou tanto, que o houve a tornar cristão, e baptizou-o e foi seu padrinho, e pôs-lhe nome D. Fernando Afonso e herdou-o mui bem, e casou-o com D. Urraca Gonçalves que tiveram uma filha e um filho de nome D. Henrique Fernandes, por sobrenome D. Henrique Magro".

Foral "Terras de Cambra"
Foral "Terras de Cambra"

A 10 de Fevereiro de 1514 é concedido foral à Vila de Macieira por D. Manuel I. Tornando-se assim, sede do concelho, ainda hoje é visível na praça o Pelourinho, símbolo do poder municipal.

Quando as terras de Cambra foram doadas a Ferrão Pereira, pai de Rui de Pereira, 1.0 Conde da Feira, ficou pois Macieira a pertencer ao senhorio dos condes da Feira. Desta forma, incluída durante séculos, nas chamadas "Terras de Santa Maria", vastíssimo e rico território cuja jurisdição tinha por sede o castelo de Santa Maria da Feira, nelas permaneceu até à extinção da Família dos Pereiras, por morte de D. Fernando, 8.° Conde da Feira, passando então para a casa do Infantado, onde esteve até à sua extinção em 1834, com o advento do liberalismo.

As muitas mudanças políticas do séc. XIX e XX reflectem-se também no concelho de Macieira que modernamente criado pelo decreto de 16 de Maio de 1832 vem a sofrer muitas alterações. Assim, após a reformulação de 1832, é extinto em 1836 e novamente criado em 1840.

Em 1867 a 10 de Dezembro é outra vez extinto e anexado a Oliveira de Azeméis. Volta a ser emancipado e, uma vez mais, anexado a Oliveira de Azeméis a 21 de Novembro de 1895, para em 1898 pelo decreto de 13 de Dezembro voltar a adquirir autonomia, até à criação do concelho de Vale de Cambra pelo decreto 12.976 de 31 de Dezembro de 1926 que transferiu a sede do concelho para o lugar da Gandra na freguesia de Vila Chã. Desta forma, extingue-se o concelho de Macieira de Cambra dando lugar ao concelho de Vale de Cambra.

A 20 de Maio de 1993 pelo decreto lei n.° 40/93 publicado a 2 de Julho, Macieira de Cambra foi de novo elevada a vila, retomando o seu "velho estatuto" que lhe confere por direito o titulo de vila histórica e que leva a que, a história do concelho de Vale de Cambra passe por Macieira, uma vez que foi durante séculos, a sede do concelho.

O seu orago é N.ª  Senhora da Natividade, tendo sido ao longo dos tempos Macieira referenciada na toponímia como "Sancta Maria de Maceneyra que est in Calambria" (ano de 1179, RM, Pedroso p. 96; ADA XIV. 76), ou "Sancta Maria de Maceeira de Calambria" (ano de 1345 ADA XIV. 76).
A Igreja de Santa Maria de Macieira é obra muito antiga surgindo mencionada no reinado de D. Dinis, em 1320 (Rol. A, cfr. HI II. 670) onde se pode ler "Ecclesiam de maceeira".

Espiritualmente e, em tempos muito remotos. Macieira, tal como as restantes terras de Cambra, esteve incorporada nos domínios da diocese de Mérida, sendo depois incluída no património do bispado de Coimbra, criado muito antes da fundação de Portugal. Do arcediago do Vouga, bispado de Coimbra, segundo documentação do séc. XIV, nele se manteve até a criação do bispado de Aveiro em 1774, onde se manteve até 1882, quando por extinção deste bispado, transitando então, para a diocese do Porto, onde ainda se encontra. Nessa altura pertencia ao então criado Distrito Eclesiástico de Cambra.

Depois, quando transitou para o Porto foi incluída na Comarca Eclesiástica de Arouca constituindo o distrito ou vigaria da Vara n.°3 - Macieira de Cambra, da dita comarca.

Quando em 1916 surge o agrupamento por vigararias, cria-se a vigararia de Macieira de Cambra, sendo que actualmente esta paróquia faz parte da vigararia do concelho de Cambra, a 6.ª Vigararia, formada por Cambra e Carregosa.

Juridicamente da Comarca de Esgueira, em 1527, passou sucessivamente para as comarcas de Estarreja em 1839, de Arouca em 1852 e de Oliveira de Azeméis em 1874. Na actualidade pertence à Comarca de Vale de Cambra, desde a sua criação em 1980, pelo decreto-Lei n.° 87 de 14 de Abril.

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